23 setembro 2015

19 setembro 2015

17 setembro 2015

Voz do Morro

A voz do morrinho artilheiro:
Aposentaram-me.
Nunca mais fiz um golzinho sequer.
Eu que toda semana estava nas manchetes.
Alegria das torcidas.
Desculpa dos goleiros.
Não tenho muito do que reclamar da vida.
Decidi a Copa de 50 – embora sacudissem a culpa no Moacir.
O Alcides chutou e eu estava lá.
Sutil como beija flor.
Fiz gol em estadual, Taça Brasil, Robertão, Brasileirão.
Vivi o esplendor dos campos de várzea
– e a maioria dos estádios brasileiros era campo de várzea.
Eu nunca tive fama no futebol europeu.
Voz do morro é coisa bem nossa.
Curiosamente, meus amigos, muitas vezes a culpa era do goleiro.
Eles erguiam um montinho de terra na pequena área.
Pra bater tiro de meta.
E depois, o montinho virava tragédia.
Com a chegada das Arenas não teve jeito.
O gramado virou pampa infinito nos 90 minutos.
Até o toque de bola se modificou.
O futebol agora tem dribles de futsal.
Eu me tornei quase uma figura de museu.
Fico no quase, pois o museu do futebol homenageia todo mundo.
Mas nunca se lembrou de minha pessoa.
Logo eu.
Eu que balancei as redes mais que Pelé e Coutinho juntos.
Eu que inspirei Zé Keti.
Eu que transformei tanto perna de pau em vedete.
Aposentaram-me.
Nunca mais fiz um golzinho sequer.
Eu que toda semana estava nas manchetes.
(Texto de Roberto Vieira) 

15 setembro 2015

A Ilha da Fantasia

A Ilha da Fantasia
(Raul Seixas)
Vamos logo que já tá na hora de zarpar
Vem sem medo que não vamos naufragar
Navegador!
Não se esqueça, meu amigo, de chamar o seu vizinho
Navegador!
Vê se na praça tem alguém para vir
A barca de Noé já vai partir, navegador
A barca de Noé já vai partir
Navegador!
Não se esqueça, meu amigo, de chamar o seu vizinho
Navegador!
Vê se na praça tem alguém para vir
A barca de Noé tá pra sair, navegador
A barca de Noé já vai partir
Vamos escolher bem melhores condições
Longe desse triste carnaval de ilusões
Navegador!
Deixa os que sonham em ser felizes
Habitando o paraíso
Navegador!
Já faz tempo que esperou
Vivendo sob leis que não criou
Navegador!
Vivendo sob as leis que não criou

13 setembro 2015

Jardim Itatinga

Jardim Itatinga é o único bairro no Brasil exclusivamente voltado à prostituição. Criado em 1966 pelo governo militar em Campinas (São Paulo), a localidade é considerada um das maiores áreas de prostituição da América Latina e foi tese de doutorado da arquiteta, urbanista e professora Diana Helene.
Para a pesquisadora, a decisão de criar o bairro, em uma área afastada do município - entre as rodovias Santos Dumont e Bandeirantes -, foi baseada em conceitos morais e numa divisão entre dois papéis de mulheres que não poderiam conviver juntos.
"A 'santa' e 'puta', que não poderiam se misturar, principalmente com o grande crescimento urbano na década de 1960, devido a onda de industrialização. Lá, as prostitutas estão protegidas para encarnar livremente seu papel, sem entrarem em conflito. Os clientes também ficam protegidos, de modo a não serem estigmatizados", disse a professora, em entrevista ao G1.
O bairro tem suas particularidades e o visitante que chega ao Jardim Itatinga se depara com um local que tudo gira em torno da prostituição. Há até lojas especializadas para atender as necessidades das profissionais.
No entanto, nem todos que moram no bairro vivem da prostituição, por isso ao caminhar pela região é comum encontrar nas portas das residências, que não têm ligação com o mercado sexual, placas de sinalização que dizem "casa de família".
Os serviços sexuais são oferecidos 24h por dia, a semana inteira. As profissionais atuam de duas formas: algumas abordam os clientes nas ruas que chegam de carro e outras ficam em boates.
"Diversas mulheres se iniciaram na prostituição trabalhando no bairro e grande parte veio de outras cidades do interior e muitas de outros estados. Ou seja, o bairro é uma localidade de referência de acolhimento de prostitutas iniciantes", destaca a pesquisadora.
A professora esclarece ainda que a escolha de trabalhar numa "casa" do Itatinga parte principalmente das jovens e iniciantes que buscam manter a profissão em segredo.

11 setembro 2015

O Beque

Vinte e poucos anos, mas pequeno como um triz.
Magro como uma fresta.
Fraco feito a gratidão.
Mas queria ser beque.
O chute era murcho, como se dado debaixo d’água.
A lentidão era a de uma fuga no sonho.
Enxergava em braile.
Mas queria porque queria.
Desestimulavam-no.
Só que ele era teimoso, parecia um trauma.
Ia aos treinos.
Ficava ali no barranco, ao lado do técnico.
Que teve dó – “ele tem a bondade de um idiota”, dizia! – e o escalou no jogo do infantil contra o bairro vizinho.
Jogo de festa.
Não valia nada.
E a molecada adversária deu um vareio: 10 a 0!
Tudo, aos risos próprios e de todos, em cima do “beque esquisito”.
Mas ninguém falou nada com ele.
Que estava incomparavelmente feliz.
Porque felicidade não tem metáfora.
(Texto de Luiz Guilherme Piva)

09 setembro 2015

Rock Errou

Rock'n'Roll
(Raul Seixas e Marcelo Nova)
Há muito tempo atrás na velha Bahia
Eu imitava Little Richard e me contorcia
As pessoas se afastavam pensando
Que eu tava tendo um ataque de epilepsia (de epilepsia)
No teatro Vila Velha, velho conceito de moral
Bosta Nova pra universitário, gente fina, intelectual
Oxalá, oxum dendê oxossi de não sei o quê
(de não sei o quê)
Oh, rock'n'roll, yeah, yeah, yeah, that's rock'n'roll
A carruagem foi andando e uma década depois
Nego dizia que indecência era o mesmo feijão com arroz
Eu não podia aparecer na televisão
Pois minha banda era nome de palavrão (nome de palavrão)
E lá dentro do camarim no maior abafamento
A mulherada se chegando altos pratos suculentos
E do meu lado um hippie punk
Me chamando de traidor do movimento (vê se eu aguento!)
(Traidor do movimento)
Oh, rock'n'roll, yeah, yeah, yeah, that's rock'n'roll
Alguns dizem que ele é chato
Outros dizem que é banal
Já o colocam em propaganda, fundo de comercial
Mas o bicho ainda entorta minha coluna cervical (coluna cervical)
Já dizia o Eclesiastes, há dois mil atrás
Debaixo do sol não há nada novo
Não seja bobo meu rapaz
Mas nunca vi Beethoven fazer
Aquilo que Chuck Berry faz (Chuck Berry faz)
Roll olver Beethoven, roll over Beethoven,
Roll over Beethoven, tell, Tchaikovsky the news
E pra terminar com esse papo, eu só queria dizer
Que não importa o sotaque e sim o jeito de fazer
Pois há muito percebi que Genival Lacerda
Tem a ver com Elvis e com Jerry Lee (Elvis e Jerry Lee)
Por aí os sinos dobram, isso não é tão ruim
Pois se são sinos da morte
Ainda não bateram para mim
E até chegar a minha hora
Eu vou com ele até o fim (com ele até o fim)
Oh, Rock'n'roll, yeah, yeah, yeah...

07 setembro 2015

05 setembro 2015

"Gatinho"

Treinador e proprietário de um circo, o tcheco Jaromir Joo surpreendeu moradores de Letovice, na República Tcheca, ao passear com um tigre pelas ruas da cidade. Joo foi visto com o tigre na coleira como se fosse um gatinho inofensivo.

03 setembro 2015

Boêmio Demodê

Boêmio Demodê
(Nelson Gonçalves)
Vou fazer uma seresta
Moderninha como quê
Misturar os tratamentos
Juntar o tu com você
Eu não quero que me chamem
Um boêmio demodê
Com acordes dissonantes
Sem marquise e sem calçada
Sem culto de mulher amada
Na penumbra do balcão
Seresta ultra moderna
Sem viola e violão
Minha seresta
Não terá pinga na rua
Não terá luar nem lua
E nem lampião de gás
Porque a lua
Nesses tempos agitados
Já não é dos namorados
Romantismo não tem mais
Minha seresta
Nesta era espacial
Vai se tornar imortal
Na voz daquele ou daquela
Minha seresta
Vai ganhar placa de bronze
Pois nem mesmo
Apollo 11
É mais moderno que ela

01 setembro 2015

Orgasmos

000 23 tipos de orgasmos:
001 Asmática: Ahhh... Ahhh... Ahhh...
002 Geográfica: Aqui... Aqui... Aqui...
003 Matemática: Mais... Mais... Mais...
004 Religiosa: Ai meu Deus... Ai meu Deus...
005 Suicida: Eu vou morrer... Eu vou morrer...
006 Homicida: Se você parar agora eu TE MAAATOOO...
007 Sorveteira: Ai Kibon... Ai Kibon...
008 Bióloga: Vem meu macho!... Vem meu macho!...
009 Edipiana: Meu pai do céu!... Ai meu pai... Ai...
010 Professora de Inglês: Ohhh yes!... Ohhh god!...
011 Maluca: Você tá me deixando doida!... Tá me enlouquecendooo!!!...
012 Viajante: Eu vou... Eu Vou... Ai... Tô chegando...
013 Descritiva: Vou gozar, vou gozar... Tô gozando... Gozeeeeiiii!!!...
014 Negativa: Não... Ohhh não... Nãããoooo...
015 Positiva: Sim... Sim... Siiiiimmmm...
016 Pornográfica: Me f#de... Isso, seu FDP... C@r@lhoooo!!!...
017 Serpente Indiana: Sssssss... Sssssss... Sssssss...
018 Professora: Sim, isso... Exato... Assim...
019 Sensitiva: Tô sentindo... Tô sentindo...
020 Desinformada: Ai?!... Que é isso?!... O que é iiiissoooo?!!!...
021 Margarina: Que delícia... Que delíciaaaaaa!!!...
022 Torcedora do Rubinho: Não para, não para, não para...
023 Analista de Sistema: OK
Prospecção:
Ato ou efeito de prospectar.
Aquilo que está sujeito de ser ou acontecer.
Método e/ou técnica de localizar e avaliar jazidas minerais.
Sondagem por meio da qual se procuram os filões ou jazidas de uma mina; pesquisa.
Conjunto de técnicas relativas à pesquisa, localização precisa e estudo preliminar de uma jazida mineral ou petrolífera.